Esse CRISTO de estopa em minha estante,
feito só de pobreza e de humildade,
não tem traços marcados no semblante,
e é vaga mesmo sua humanidade.
Talvez assim se faça mais tocante,
nessa indefinição, sua verdade.
Sem os espasmos crus do agonizante
faz melhor companhia: é só bondade.
E passo então a conversar com ele.
Conto-lhe histórias de pastor e rei
e os cansaços do ser quotidiano.
No tecido de fibra pobre, aquele
não é somente um CRISTO que ganhei,
mas o AMIGO: de carne e não de pano.
Odilo Costa, filho
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