quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"O CRISTO DE ESTOPA"



                   Esse CRISTO de estopa em minha estante,
feito só de pobreza e de humildade,
não tem traços marcados no semblante,
e é vaga mesmo sua humanidade.

Talvez assim se faça mais tocante,
nessa indefinição, sua verdade.
Sem os espasmos crus do agonizante
faz melhor companhia: é só bondade.

E passo então a conversar com ele.
Conto-lhe histórias de pastor e rei
e os cansaços do ser quotidiano.

No tecido de fibra pobre, aquele
não é somente um CRISTO que ganhei,
mas o AMIGO: de carne e não de pano.


Odilo Costa, filho

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